A matéria fotográfica sobre a cidade do Rio, de uma perspectiva não saudosa, não babaca, não natureba, afirma uma cidade humana, um tecido urbano singular engendrado no seio de uma paisagem natural excepcional. Sem antagonismos vazios nem apologias a um em detrimento do outro, apenas composições ricas e complexas, fruto de um trabalho que tem um resultado libertador para aqueles que já se encontravam, como eu, sem saber bem como pensar ou enxergar a cidade do Rio de Janeiro para além dos discursos midiáticos contemporâneos. As fotografias da artista plástica Cláudia Jaguaribe, publicadas na 56ª edição da revista Piauí, não precisam de explicação, mas o texto que acompanha a matéria é primoroso e prepara o terreno para a apreciação das geniais imagens. Vai o link: http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-56/portfolio/rio-emergente.
A propósito, foi logo após uma digestão sofrida de minha atual situação existencial que me deparei com essas fotos, o que desconcerta pra valer um ateu como eu. Conversávamos eu e minha companheira de barco sobre os efeitos de nossa mudança para esta cidade que nada tem de semelhança com a nossa de origem. O quanto eu tentei me prender ao que aqui seria melhor do que lá, muitas vezes de maneira enfática, tentando, talvez, convencer a mim mesmo. Fato foi que, após o escrutínio de ontem, não sobrou pedra sobre pedra. Decidimos ir embora, mais pra frente, quando houver um ganha pão lá, no Rio de Janeiro, apesar das próprias mazelas cariocas, que a bem dizer, não param de se multiplicar. Entre um e outro, eu prefiro o hospício à zombieland. Soldas e continências não são suficientes para fazer uma cidade de verdade.
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