No alto dos meus trinta e dois anos, não sei bem se me sinto velho ou se ainda me sinto novo. A vida já não é tão promissora, os sonhos vão se esmirrando pouco a pouco, e o lugar da constatação desse fato é a mesa do bar. É gritante o contraste do que se pode observar hoje e o que há poucos anos atrás se poderia. Os assuntos mais variados, infância, relacionamenos pregressos e futuros, sexo, futebol, política, teorias gerais, notícias de jornal do dia, especulações acerca da vida alheia, o mundo como ele é e como deveria ser, eram infinitos os tópicos que frequentavam as mesas de pvc com um suor dos copos de cerveja lhes escorrendo pelas pernas. Hoje, sobrou muito pouco. Se antes tínhamos a clara impressão de que compartilhávamos sonhos e alegrias, atualmente, e é com pesar que lhes digo tal coisa, nos encontramos para testemunhar, uns perante os outros, que ainda estamos vivos e que planos temos para que continuemos assim. Não à toa um dos principais assuntos trata dos demprimentes concursos públicos, os quais, para nós, enfadonhos psicólogos, são mandatórios para que se tenha uma vida minimamente digna. Depois disso, são só migalhas. A gente vê pouca tevê, lê poucos livros, faz pouquíssima coisa interessante. Nossas vidas aos poucos vão se tornando um difícil ofício de equilibrista, na corda bamba, mesmo sem querer. Os relacionamentos também já não dão tanto assunto, já que dois grupos começam a se definir muito bem: os há muito tempo casados e os há muito tempo solteiros. Ambos já tendo criado uma rotina de uso para seu estado civil que não produz sequer uma historinha que valha a pena ser contada.
Eu, que gosto bastante de falar efusivamente em monólogos que podem ser breves ou, para o terror de meus ouvintes, se estender até muito além do que qualquer alma em são consciência possa aguentar, começo a soar um pouco louco. E assim a coisa toda vai, de pouco em pouco, furtivamente se instaurando em nossas almas não mais juvenis. A alegria gratuita começa a nos parecer postiça, o pesar, familiar. Sozinhos, em casa ou na rua, pensamos que podemos fazer melhor, talvez possamos, mas ainda não. Ainda nos falta a sabedoria do velho, que sabe como é que faz com tudo aquilo que já foi tudo, mas não é mais.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
enfim, eu não gosto de enfins. enfim...
E daí o retrato, ou melhor, a fotografia. Ela me exime de todas as explicações que eu penso que deveria dar, ou melhor, de novo, deveria descrever. Se isso pode lhes parecer uma falta de caráter, do tipo literário, que seja, até que me sinto mais à vontade com isso, já que não preciso me cobrar ou me permitir ser cobrado por ostentar tal aspiração. Quem sabe um dia não dirão que foi coisa nova, ou apenas coisa bonita que eu fiz. Espero pelo menos poder continuar sabendo o que me agrada de fato produzir, seja logo depois de pronto, seja algum tempo passado. O blog, eu queria deixá-lo assim, parado, como que fechado, concluído. Mas confesso que enquanto não encontrar outro meio de organizar as coisas novas, não sei se conseguirei cumprir isso. Não sei se quero online, pelo menos não como era o blog. Gostaria de poder ter a disciplina de organizar o material todo antes de publicá-lo, em papel. Ter mais de uma coisa seria bastante bom, um online e um sempre correndo por fora, pra ser papelado mais à frente. Me faltam os meios subjetivos e as alianças para que me encontre novamente na estrada da produção. Não sei se conseguirei tão cedo retoma-la, parece que não. Mas confesso, é raro o dia em que isso não me aflige, o que piora quando me deparo diretamente com algo que me remeta ao tema, como ontem. O sono da tarde quase sempre me lembra daquilo que ainda não morreu em mim. Toda vez eu sinto que ou me alio a isso ou terei para sempre um inimigo incansável e visceral. Espero que a coragem e a sabedoria possam um dia se entender. Hoje tenho a impressão de que uma fala grego e a outra alemão.
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