sexta-feira, 22 de julho de 2011

medequê rapáaaiz?

Nunca algo importante prescinde de um gesto de coragem. Isso não é uma máxima fajuta. Aprendi isso enquanto escrevia esse texto. Disse pela janela do messenger a um amigo "hoje preciso escrever algo sinistro". Mais cedo na semana, decidi que faria jornalismo, como quem acha que resolve tudo largando a mulher pra casar com a amante. E confesso, isso também eu acabei de descobrir. Tento avançar com esse mesmo texto que você lê agora, mas me ocorrem todos os tipos possíveis de bloqueios, eu procuro as frestas, porque cansei de simplesmente desistir. Inevitavelmente as metáfora começam a pulular na minha cabeça, mas eu não quero metáforas, eu quero outra coisa. Em quantos lugares se pode ler ou ouvir alguém dizer que alguma coisa bem feita consiste em muito mais esforço do que talento? Eu concordo, eu quero ir por aí, me esforçar, como estou fazendo agora. Mais um pouco e eu lembro uma sacada que eu tive noutro dia. Uma coisa enorme, muitíssimo importante pra mim. Ela consistia em algo como a idéia de que nada vale uma idéia, uma fantasia, um sonho, se deles não podem desfrutar os outros. De nada vale minha idéia de escrever, se não posso ser lido, algo assim. Assim, não haveria um fluxo de mim para o outro. Mas um flash, mim-outro, outro-mim. E isso eu já sei bem, é o caso de mão na massa, planejar enquanto se faz. A criação no mais alto degrau, como um deus que detém todas as respostas. Mas eu sei, eu enrolo. É o medo, e eu sei de que, mas não posso dizer, e sem metáforas, fudeu! Beco sem saída. Mas eu volto. Outro caminho. Agora mesmo eu sei que poderia escrever um parágrafo lindo, mas eu não quero esse parágrafo. Me assalta a idéia de que nem sempre se pode fazer o que se quer, mas somente o que se pode. Eu não corroboro, mando à merda e sigo tentando. Quanto mais eu acho que tenho que confiar em mim, mas eu descubro que tenho mesmo é que desconfiar de mim, ser um pouco diferente do que me prevejo. Aí tem coisa. Querer se saber antes de arriscar, isso cheira mal e esse cheiro eu já conheço. Como é difícil se fazer fora de si, fora daquilo que pode ser considerado um plano, um plano de si mesmo. E ainda assim eu contrario esse troço, de se fazer. Há muito tempo eu já não acredito em homens feitos a partir de blueprints bem planejados, mas ao mesmo tempo eu desconfio de todos os outros, acima de todos, de mim. E se toda essa desconfiança não serve pra nada, é isso, ela é uma tralha, e melhor seria se eu fosse um homem planejado. Isso teria que parar de rodar ao meu redor, mas não é tão simples assim. Quem vai me ler? Quem passa no meu texto? Eu quero isso, essa vida fora de mim, nascida em mim, que pode até remeter a mim, mas sem muitas semelhanças. Eu preciso de coragem pra tomar a decisão errada. E depois? Eu não sei. O que é que vem depois da coragem? Quem sabe não conta, quem conta não sabe de nada. Amanhã, quem sabe, eu descubro.

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