domingo, 10 de julho de 2011

hoje eu acho que fiz uma grande descoberta

Estou sentado frente ao computador, tomando café e ouvindo música, além de fazer o que 115% da população internética faz quando se conecta, abrir o email e o facebook. Não muito diferente de 114% desta mesma população, descubro que na minha caixa de entrada não tem nada que preste, no facebook tampouco. Isso costuma acontecer 113% das vezes em que sento no computador. Mas hoje algo diferente aconteceu. Por se tratar de uma manhã preguiçosa de domingo, que começou depois do meio dia, sentamos eu e minha maruja frente a frente, cada um no seu computador, o que nunca aconteceria num dia de semana, pois nosso horários são muito diferentes. De repente, enquanto eu puxo a barra de rolagem pra baixo, procurando uma coisa fantástica no facebook, ouço vindo do outro lado a seguinte frase: "Como a gente perde tempo no facebook, né?" Acho que nessa hora meu coração deu uma paradinha, como quem diz:"Você ouviu isso?" E eu acenei com a cabeça pra ele. Olhei em direção à varanda que, no apartamento que a gente mora, é enorme. Havia quanto tempo eu não sentava na varanda? Não que a vista fosse uma maravilha, mas não era ruim. Em menos de um segundo fui atingido no peito por uma idéia. Como poderia eu encontrar no facebook alguma coisa que fosse genuinamente de alguma serventia para mim? Não haveria como, já que todo mundo lá tá na mesma. Procurando ali alguma coisa, colocando ali qualquer coisa que seja um passatempo pra gente se divertir encontra não encontra nada. Como a brincadeira do passa-anel, mas sem ninguém estar com o anel. Olho pra varanda de novo e penso em quanto bons encontros tive nela. Penso mais um pouco. Lembro do sonho de ontem. Na verdade não lembro do sonho de ontem, mas sim do sentimento que ele deixou em mim. Quantas vezes já tive sonhos que brotaram no meu peito, mas ainda precoces e frágeis acabaram por ser negligenciados por seu pai, que perdeu tempo demais no facebook. Minha realidade geográfica me dificulta verdadeiramente o contato real com os bons amigos. Uma estufa pra proteger as idéias nascentes da geada que nasce do frio da minha desatenção, da minha panatenção. Em relação ao facebook, de modo geral a essa coisa toda de se deixar levar pela nuvem, talvez vá ser o caso de adotar um "só por hoje". Ou então de tratá-lo sem ingenuidades, como quem negocia algo de valor com um conhecido filho da puta, ou seja, sabendo que o que ele quer de você é exatamente aquilo que você não pode dar. Risadinha no canto da boca e bola pra frente. E a propósito, eu não fui pra varanda. Continuei no computador e escrevi esse texto.

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